A admiração de Neil Peart pelo Pink Floyd começou antes de “The Dark Side of the Moon” se tornar um sucesso gigantesco. Em “Traveling Music”, o baterista do Rush registrou lembranças de duas apresentações que assistiu como espectador: uma em Toronto, em 1970 ou 1971, e outra no Rainbow Theatre, em Londres, em 1972.
Peart reuniu os dois shows entre as experiências mais marcantes de sua trajetória diante de um palco. “Um show daquela turnê a que assisti em Toronto, em 1970 ou 1971, permanece como uma das minhas maiores experiências em concertos”, escreveu. Na mesma passagem, mencionou também a apresentação londrina.
Uma obra ainda em formação
O concerto realizado em Londres ocorreu em fevereiro de 1972, quando o Pink Floyd apresentava ao vivo uma versão embrionária de “The Dark Side of the Moon”. O álbum ainda levaria meses para chegar às lojas, e as músicas e sequências executadas naquele período não correspondiam integralmente às gravações definitivas.
Essa fase permitiu que Peart acompanhasse o desenvolvimento da linguagem cênica e musical do grupo antes de sua transformação em fenômeno mundial. A relação do baterista com a banda, portanto, não se limitava ao impacto posterior do disco.
A influência de Roger Waters
Peart também reconhecia a importância de Roger Waters como compositor. Ao escrever sobre “The Wall”, afirmou identificar na obra temas como exaustão, alienação e fragilidade associados à vida na estrada — experiências que ele próprio conheceu depois de anos em turnê com o Rush.
O baterista ainda elogiava “The Dark Side of the Moon” e o trabalho de David Gilmour. A lembrança dos shows do começo dos anos 1970, porém, registra uma admiração formada quando o Pink Floyd ainda construía no palco parte da linguagem que marcaria sua carreira.



