A admiração de John Paul Jones por Paul McCartney não se limitava ao reconhecimento de sua importância nos Beatles. Para o músico do Led Zeppelin, a força do baixista estava na escolha precisa das notas e na capacidade de não preencher todos os espaços com excesso de informação.
Jones explicou essa preferência em uma entrevista de 1977 ao jornalista Steven Rosen. Ao criticar o estilo de baixistas que tentam assumir uma função solista, voltou a citar McCartney como referência: “Ele coloca as notas certas no lugar certo, na hora certa. Ele sabe o que está fazendo”.
Uma avaliação construída ao longo do tempo
A mesma admiração já havia aparecido em uma conversa de 1970 com Ritchie Yorke. Na ocasião, Jones mencionou Ray Brown e Charles Mingus entre os baixistas que respeitava e ressaltou a influência da Motown sobre o rock. Para ele, as frases criadas pelos músicos do selo continuavam presentes no trabalho dos baixistas do gênero.
Quando perguntado sobre Jack Bruce, do Cream, Jones classificou o músico como muito bom, mas disse não gostar tanto de seu som. A avaliação sobre McCartney foi diferente. Jones afirmou que ele sempre havia sido bom, que suas escolhas permaneciam corretas e que seu trabalho se tornara ainda melhor desde os primeiros tempos dos Beatles.
Antes da formação do Led Zeppelin, Jones já havia trabalhado em estúdios, tocando e fazendo arranjos para Donovan, Lulu, Dusty Springfield e Cat Stevens. A experiência ajuda a situar sua atenção aos arranjos e ao papel desempenhado pelo baixo, embora a fonte não estabeleça uma relação direta entre esse percurso e sua avaliação de McCartney.
O encontro na Rockestra
A admiração também se traduziu em colaboração. No final da década de 1970, McCartney reuniu músicos para a Rockestra, projeto ligado ao álbum “Back to the Egg”, do Wings. Jones participou da formação ao lado de David Gilmour e Pete Townshend, levando também John Bonham, seu parceiro de seção rítmica no Led Zeppelin.
McCartney assumiu o baixo nos Beatles após a saída de Stuart Sutcliffe e transformou o instrumento em uma das marcas de seu trabalho. Na leitura de Jones, seu diferencial não estava em tocar mais do que os demais, mas em saber quanto tocar e onde colocar cada nota.


