A versão de Jimi Hendrix para “All Along the Watchtower”, de Bob Dylan, alcançou o 20º lugar da Billboard e se tornou o melhor desempenho do guitarrista na parada americana. O caminho até esse resultado, porém, incluiu mudanças de músicos, sucessivas regravações e uma participação controversa de Brian Jones, dos Rolling Stones.
As sessões começaram em janeiro de 1968, no Olympic Studios, em Londres, para o álbum “Electric Ladyland”. Hendrix não tratou a canção como uma faixa de preenchimento: voltou repetidamente às partes gravadas e continuou trabalhando nela por meses. O processo passou de uma máquina de quatro canais para equipamentos de 12 e depois 16 canais, com overdubs e trechos apagados antes da conclusão.
A intervenção de Brian Jones
No curso das gravações, Noel Redding deixou o estúdio depois de perder a paciência. Dave Mason participou tocando um violão de 12 cordas, enquanto Hendrix assumiu o baixo na versão final. Foi nesse ambiente de alterações que Brian Jones apareceu e manifestou interesse em tocar.
Segundo o engenheiro Eddie Kramer, Jones estava bastante alterado quando se sentou ao piano. A participação não agradou. “Ele estava completamente bêbado e começou a tocar piano. Era horrível”, lembrou Kramer. Hendrix interrompeu a execução e retirou Jones do instrumento, atitude que não teria sido bem recebida pelo músico dos Rolling Stones.
Jones, no entanto, permaneceu de forma mais discreta na gravação. A ele é atribuído o som seco de vibraslap ouvido na introdução de “All Along the Watchtower”, contribuição que sobreviveu ao processo de seleção e reconstrução da faixa.
O single foi lançado em setembro de 1968. A interpretação de Hendrix também modificou a percepção de Dylan sobre a própria composição: décadas depois, o autor reconheceu que o guitarrista havia encontrado elementos na música que ele mesmo não havia percebido. A versão nasceu de uma longa elaboração em estúdio, mas sua participação mais lembrada de Brian Jones ficou reduzida a um detalhe de percussão.



